Todos nós passamos diariamente por momentos de facies triste, facies feliz, mas há momentos de nossa vida que em que passamos dias a fio com aquele facies horrível de tristeza, mágoa, como que entorpecidos pelo mal do ressentimento. Há dias que aqui não escrevia, mas ultimamente tenho visto um amigo com este rosto, mesmo que por vezes ele o tente esconder por detrás daquela boa disposição contagiante que faz o tempo parecer doce na boca de uma criança. Há uns tempos atrás, não muito distantes era eu que andava assim, e tu deste-me à tua maneira uma força incrível com aquelas palavras que só tu sabes dizer. Hoje não por mera retribuição mas por vontade eu quero dedicar-te um texto escrito por este poeta da vida há alguns anos, aquando uma perda muito importante.
"Até hoje tinha muito onde beber e não tinha sede. Quando quiz beber a fonte tinha secado e era pó. Já não estavas cá.
Nem líquido tenho para soltar lágrimas, porque em ti não bebi o suficiente. Vaguiei pelo deserto da minha estrada, atrás da imagem fantasma que via tão longe e distorcida. Era o meu oásis cheio de água fresca, para fazer com que minha garganta deixa-se de arranhar e sangrar.
Não sei quantos kilómetros percorri atrás de ti, e da tua aura infinita, mas o único líquido que escorria até ao estomâgo fragilizado era o meu próprio sangue digerido, a queimar, e sem me saciar.
Tantos cigarros fumei com a boca seca e não via a tua água em lado nenhum......
Até que fechei os olhos e vi-te, vi-te onde sempre estives-te e nunca me tinha apercebido, dentro do meu coração.
Voltei a ver-te dentro do meu coração Pitz, sim dentro daquele que um dia em discussão agreste te disse "O coração só serve para bombear sangue". Mas não, não serve só para isso, ele tem um poder ilimitado, porque tu sempre lá estives-te guardado e ao mesmo tempo solto. Tanto tempo para perceber isso meu amigo. Porquê?
Porque a mágoa aperta o coração e não o deixa respirar. Foi preciso soltar esta minha mágoa pela tua decisão de partida.
E então meu amigo como sempre abris-te a tua torneira com toda a força que podias e voltas-te a saciar a minha sede de saudade, de amizade, de falta, dos sorrisos, das caminhadas, das camadas, dos dez mil cigarros que fumamos juntos e diziamos ser sinais de fumo para as estrelas que todas as noites olhavam para nós.
Foste embora mas ainda hoje estás aqui, sempre com essa torneira aberta para mim. Osculo Pitz."
Texto hoje inteiramente dedicado ao meu AMIGO Trugia. Abraço forte aamiigooooooooooo.
POETA DA VIDA